Diogo.
Auxiliai o ceguinho. Era isto que eu ouvia, à porta do mercado de Alvalade, anos cinquenta mesmo no início, lá estava também a outra com as letras das cantigas para vender juntamente com as cautelas, as letras dos fados da desgraçadinha, auxiliai o ceguinho continuava o outro a berrar ainda mais alto que a cantora desgraçadinha dos fados, estava a tal Amália longe de pensar que lhe iam lixar as cantigas todas ou quase, imperfeito coração, ão, ão. Cantava-se e berrava-se, chorava-se e cheirava a fruta e a peixe, tudo misturado com as cantigas da desgraçadinha no gamanço a fim de curar um filho trabeculoso.
Porque é que terá sido que eu estava a pedir-te ajuda e ao Diogo - "auxiliai o ceguinho..." - para começar a escrever num blogue, e sai-me o mercado de Alvalade ao caminho, o caminho será a memória?
Foi bom jantar com vocês, com a tua maravilhosa irmã mais aquele Luis magnífico pai do teu sobrinho meu neto. Depois a conversa sobre o "meu blogue" onde nunca toquei até hoje, esta espécie de emoção que me provoca não saber de maneira nenhuma como é que esta escrita me sai do colo e vai ter com vocês, auxiliai o ceguinho. pai e amigo .
